Há quem morra por ser pobre, por ser preto, por ser índio, por ser gay, por ser crente, por ser ateu ou por simplesmente não ser. Não ser o que o pai quer que ele seja, não ser o que a mãe sonhou que ele fosse, não ser o que a sociedade espera, não ser o que a história quer que a gente acredite que somos. Aí percebemos que o buraco é mais embaixo. Que a Igualdade não está para a realidade e que a Diversidade existe para ser celebrada. Há quem reme contra a maré de preconceitos, vaidades, opressões. Há quem viva para lutar e quem lute para viver, entre mortos e feridos há o amanhã. Melhor, quem sabe. Pior, talvez. Mas para o Hoje, tem-se a crença, a fé e a esperança de que sorria quem hoje chora. De que fale quem hoje cala. De que viva quem se mata um pouco a cada dia.
“Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada, prá a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa.”