O PRECONCEITO E A INTOLERÂNCIA ALGUNS DOS FUNDAMENTOS DO MASSACRE À VÍTIMA*
A justificativa para o título do presente texto será dada com um exemplo real do ano de 2000, não pela inexistência de casos mais recentes, mas como uma tentativa de que esse, após 10 anos de seu acontecimento, não fique apenas como um dado estatístico apagado da memória de cada cidadão.
Édson Neris, na madrugada de seis de fevereiro de 2000, passeava de mãos dadas com o seu companheiro Dario Pereira Netto nas imediações da Praça da República em São Paulo quando foi surpreendido por um grupo de Skinheads. Dario conseguiu escapar, mas Édson não logrou êxito e foi espancado até a morte pelo grupo conhecido como Carecas do ABC aos 36 anos.
Ao noticiar crimes contra gays, bissexuais, transexuais ou travestis, o posicionamento tendencioso adotado pelos meios de comunicação é acessível aos olhos e ouvidos de quem estiver disposto a perceber. O companheiro, marido ou namorado é prontamente intitulado de “parceiro”, atribuindo assim um termo pejorativo de conotação puramente sexual e desligada de qualquer esfera afetiva. A sexualidade da vítima é posta em primeiro plano, mas de forma negativa. Esse jogo de idéias e conceitos deturpados contribui para a manutenção de um pensamento retrógrado que cultiva a propagação de conceitos previamente concebidos carecidos de fundamentação.
Diante dessas mentalidades adestradas para rebater o que está fora do que foi estabelecido como ordem ou correto, a culpa que era para recair sobre os agressores, recai sobre os agredidos. Esses que deveriam receber não apenas proteção estatal, mas também o apoio da sociedade, são massacrados pelo preconceito e intolerância embutidos em cada manifestação de reprovação às condutas apresentadas pela vítima. No relato inicial, a conduta referida pode ser o fato isolado da homossexualidade ou o ato de dar andar de mãos dadas, que confere à vítima a responsabilidade (ou parcela dela) por tudo que lhe aconteceu.
Ainda sobre o caso inicialmente relatado, dos 18 suspeitos que a polícia conseguiu capturar, alguns pegaram pena leve por ter participado indiretamente da morte da vítima, outros chegaram a pegar até 21 anos de prisão, mas todos foram beneficiados pela progressão de regime e se encontram em liberdade.
* O massacre à vítima foi um dos pontos brevemente discutidos na reunião do GE (Grupo de Estudos) do dia 17 de março, mas que provavelmente terá continuidade e eu volto com outra postagem.
É lamentável que ainda exista isso no mundo. Ninguém pode mais amar ninguém. Pq demostrar sentimento em publico é visto como errado. EU ME ENVERGONHO DESTE LAMENTAVEL MUNDO.