Um fato histórico foi registrado pela letra do Hino de Pernambuco: “A República é filha de Olinda”. No dia 10 de novembro de 1710, Bernardo Vieira de Melo proclamou a independência de Olinda, ou seja, foi de Pernambuco a primeira iniciativa republicana no País. Não é querendo minimizar os feitos do alferes Joaquim José da Silva Xavier, mas deveria ser de Bernardo Vieira de Melo o papel de “Protomártir da República”, como afirmou Joaquim Correia na edição 4 do “Pernambuco Imortal”.
Muitos historiadores negam esse acontecimento por não ter sido encontrada a ata de reunião do senado, esse documento comprovaria oficialmente a proclamação. No entanto, uma parte das ruínas do Senado de Olinda localizadas em frente ao Mercado da Ribeira traz a inscrição: “Aqui em 10 de novembro de 1910, Bernardo Vieira de Melo deu o primeiro grito em favor da fundação da república entre nós.” Independente de qualquer impasse envolvido na questão é inegável a importância de Bernardo Vieira de Melo para a História de Pernambuco. Ele foi figura marcante também na Guerra dos Mascates onde Olinda e Recife eram representadas pela aristocracia rural e comerciantes. Uma crise financeira decorrente do declínio da produção açucareira configurava o cenário da época.
A Região Nordeste, que por anos foi esquecida politicamente, sempre foi marcada por inquietações resultantes da insatisfação popular com a camada dominante. Sobretudo, Pernambuco pode ser considerado o berço das revoluções e é repleto de personagens históricos que merecem ser lembrados constantemente. Além de Bernardo Vieira de Melo ter “gritado” pela independência, tem-se Joaquim Nabuco com a Abolição da Escravatura, Frei Caneca na Confederação do Equador, Dom Hélder a favor das Ligas Camponesas. Aqui até os Padres foram bravos guerreiros, salve, ó terra dos altos coqueiros!