Pois é, eu que havia dito que só voltaria em 2009, resolvi me antecipar. Não poderia deixar de postar hoje não. Não esse texto. Contemple-o inteiro. Da forma mais ampla que puder. E de verdade eu queria saber o que me dizem sobre ele. Muito obrigada e Feliz Natal ;D
MONÓLOGO DE NATAL- ALDEMAR PAIVA
“Não gosto de você Papai Noel.Também não gosto desse seu papel de vender ilusões à burguesia.Se os garotos humildes da cidade soubessem do seu ódio à humildade, jogavam pedra nessa fantasia.Você talvez nem se recorde mais.Cresci depressa, me tornei rapaz, sem esquecer, no entanto, o que passou.Fiz-lhe um bilhete, pedindo um presente e, à noite inteira, eu esperei contente.Chegou o sol e você não chegou.Dias depois, meu pobre pai cansado trouxe um trenzinho feio, empoeirado, que me entregou com certa excitação.Fechou os olhos e balbuciou: “É pra você, Papai Noel mandou”.E se esquivou, contendo a emoção.Alegre e inocente nesse caso, eu pensei que meu bilhete com atraso, chegara às suas mãos, no fim do mês.Limpei o trem, dei corda, ele partiu dando muitas voltas.Meu pai me sorriu e me abraçou pela última vez.O resto só eu pude compreender quando cresci e comecei a ver todas as coisas com realidade.Meu pai chegou um dia e disse, a seco: “Onde é que está aquele seu brinquedo?Eu vou trocar por outro, na cidade”.Dei-lhe o trenzinho quase a soluçar, e como quem não quer abandonar um mimo que nos deu, quem nos quer bem, disse medroso: “O senhor vai trocar ele?Eu não quero outro brinquedo, eu quero aquele.E por favor, não vá levar meu trem”.Meu pai calou-se e pelo rosto veio descendo um pranto que eu ainda creio, tanto e santo, só Jesus chorou.Bateu a porta com muito ruído, mamãe gritou; ele não deu ouvidos. Saiu correndo e nunca mais voltou.Você Papai Noel, me transformou num homem que a infância arruinou. Sem pai e sem brinquedos.Afinal, dos seus presentes, não há um que sobre para a riqueza do menino pobre que sonha o ano inteiro com o Natal.Meu pobre pai doente, mal vestido, para não me ver assim desiludido, comprou por qualquer preço uma ilusão e, num gesto nobre, humano e decisivo, foi longe pra trazer-me um lenitivo, roubando o trem do filho do patrão.Pensei que viajara, no entanto, depois de grande, minha mãe, em prantos, contou-me que fôra preso.E como réu, ninguém a absolvê-lo se atrevia.Foi definhando, até que Deus um dia entrou na cela e o libertou pro céu.”
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Nem só de coisas lindas é feito o Natal. A realidade da maioria é bem diferente das mostradas nos comerciais de coca-cola!
R.E.F.L.I.T.A!