Mesmo calada a boca, resta o peito

Publicado: setembro 18, 2011 em Uncategorized

Há quem morra por ser pobre, por ser preto, por ser índio, por ser gay, por ser crente, por ser ateu ou por simplesmente não ser. Não ser o que o pai quer que ele seja, não ser o que a mãe sonhou que ele fosse, não ser o que a sociedade espera, não ser o que a história quer que a gente acredite que somos. Aí percebemos que o buraco é  mais embaixo. Que a Igualdade não está para a realidade e que a Diversidade  existe para ser celebrada. Há quem reme contra a maré de preconceitos, vaidades, opressões. Há quem viva para lutar e quem lute para viver, entre mortos e feridos há o amanhã. Melhor, quem sabe.  Pior, talvez. Mas para o Hoje, tem-se a crença, a fé e a esperança de que sorria quem hoje chora. De que fale quem hoje cala. De que viva quem se mata um pouco a cada dia.

“Como é difícil acordar calado
Se na calada da noite eu me dano
Quero lançar um grito desumano
Que é uma maneira de ser escutado
Esse silêncio todo me atordoa
Atordoado eu permaneço atento
Na arquibancada, prá a qualquer momento
Ver emergir o monstro da lagoa.”

Obs.: Apesar da data do post ser dia 17 de setembro, a postagem é referente ao primeiro dia de Simpósio.

Algumas letras contando O Dia de Hoje não faz mal a ninguém. Muito pelo contrário. É uma espécie de supraconsolo para não desanimarmos diante de um cotidiano que nos deixa tantas vezes desiludidos a esperar aqueles bons e velhos “dias melhores”.

Aconteceu na Universidade Católica de Pernambuco o 1º Simpósio Pernambucano de Direito Homoafetivo promovido pelo Diretório Acadêmico Fernando Santa Cruz e pela organização não governamental Leões do Norte. Embora o evento tenha o foco no âmbito jurídico das temáticas homoafetivas, a platéia também foi composta por estudantes de Letras, Sociologia, Física, além de  um polêmico e equivocado Padre que acalorou as discussões na tarde de sexta-feira.

Cidadania LGBT, adoção por casais homoafetivos, Projeto de Lei 122/06,  foram alguns dos assuntos  em pauta no primeiro dia do Simpósio que teve como convidados expositores nomes como Dr. Clicério Bezerra – Juiz que realizou o primeiro casamento entre pessoas do mesmo sexo em Pernambuco, Dr. Élio Braz – Juiz da 2ª vara da infância e da juventude e Torquato Castro – Prof. do Mestrado em Direito UFPE. O evento contou ainda com vibrantes e acolhidas falas dos membros do Diretório Acadêmico Pedro Josephi, Maria Júlia e Rafael Vasconcelos que vem conduzindo de forma ativa os debates no curso de Direito da Universidade Católica de Pernambuco.

O primeiro dia de Simpósio teve um saldo positivo, tendo se encerrado com o documentário “Não gosto de Meninos” onde as falas dos entrevistados traziam suas experiências de vida e momentos cruciais na vida de todo homossexual como infância, momento de descoberta, aceitação da sexualidade e a hora do irrefutável “Pai, sou gay”. As presentes linhas de desenvolveram com o objetivo maior do que  contar o que se passou no evento, mas o que ele significa. Uma Universidade Católica, com um curso de Direito tradicionalista, está atenta para um “Novo começo de era”, mais Justo e permeado pelos Direitos  Humanos.

Se você acolheu as minhas letras até aqui, acolhe o link abaixo e assiste esse vídeo que muito se afina com o que foi discutido hoje no Simpósio. Quero saber também a opinião de vocês, comentem se sentirem necessidade e divulguem se de igual maneira for.

Twee Vaders – Dois Pais

Um show de ignorância, preconceito e homofobia se fez presente em uma Aula de Direito do Trabalho II na Universidade Católica de Pernambuco. Na última quarta-feira, 11 de maio, dois representantes do Diretório Acadêmico Fernando Santa Cruz entraram na sala para dar alguns recados e convidar os alunos para a 1ª Parada Gay Unicap. O anúncio de tal evento teve risadas, interjeições e comentários homofóbicos externados em uma sala de Aula. “Eu venho com uma 12”, disse um futuro juiz, promotor, delegado, advogado ou qualquer outra função pública de Defesa Social. “Vixe!”, exclamou enfática mais uma integrante do corpo discente.

O circo já estava armado. Entre plateia e palhaços, havia os indignados, estarrecidos e paralisados como eu. Foi traçado um paralelo entre homoafetividade e zoofilia, “levantar a bandeira” do movimento LGBT foi considerado um meio de garantir o rótulo de moderno e liberal, organizar numa Universidade um evento que tem como um de seus objetivos tornar mais alto o coro de #HomofobiaNao foi tido como um estímulo a homossexualidade.  Não foram apenas alunos os protagonistas do episódio em tela, um Professor também fez parte do elenco e sugeriu que os heterossexuais também deveriam se organizar e levantar sua bandeira. O Professor parece não lembrar que não são os heterossexuais que estão sendo esfaqueados e enterrados de cabeça pra baixo por conta de um namoro não aceito pelos pais de uma das partes, são as lésbicas. O Professor esqueceu também que não são os heterossexuais que ao chegarem a uma delegacia para prestar queixa, muitas vezes recebem outra agressão, são as travestis. Não estava registrado na memória do professor que não são os heterossexuais que são agredidos pelo fato de estarem andando de mãos dadas em via pública, são os homossexuais.

Não acreditei no que estava ouvindo, duvidei do que estava vendo e minha imaginação não conseguiu alcançar o que eu ainda posso ver num futuro tão perto que já me bate à porta. Acadêmicos tão cheios de luzes, letras e livros para quê? Luzes, letras e livros para quem? Pseudoliberais e autênticos conservadores estavam em comunhão de forma sutil e rude, áspera e suave, entre o dito e o não dito homofóbico. Costumo dizer que faço parte de uma juventude “que não foge da raia a troco de nada”, mas reconheço também que parte dessa mesma juventude me envergonha por ter um pé (há quem tenha os dois) em preconceitos ancestrais. Confesso que me juntei ao time de Elis: também é minha a dor de perceber que “ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais”.

O post anterior ultrapassou as duzentas (200) visualizações e quero agora dobrar esse número. Divulguem o blog! Espalhem o link! Comentem! Eu sou a favor do PLC 122/2006 (Criminalização da Homofobia), contra o Preconceito e a favor do Respeito à condição de ser Humano , e vocês?

 

Na última sexta-feira, 11 de junho, estive no Presídio Professor Aníbal Bruno e venho por meio deste post relatar o que vivi. Foi meu primeiro contato com a realidade carcerária e achei válido registrar.

Na imundice do pátio, Manuel[1] viu um bicho. Eu vi milhares. É como seres desprovidos de humanidade que os presos no Presídio Professor Aníbal Bruno são tratados em sua maioria. Como seres desprovidos de dignidade, comem, dormem e (sobre)vivem a maior parte dos encarcerados. Homens vivendo em condições insalubres e muito aquém do que estabelecem as legislações que versam sobre o tema. O ar nos pavilhões é diferente, pesado e tem um péssimo odor.

Me deparei com Homens que com certeza contrariam o senso comum, vi partir deles um respeito que se encontra em extinção em muito homem que goza de liberdade plena. Ao entrarmos no pavilhão, os que estavam deitados, levantavam, enrolavam os finos colchões ou afastavam suas camisas e papelões utilizados para forrar o chão, para que pudéssemos passar. Os que estavam sem camisa, se vestiam e em nenhum momento ouvimos nada ofensivo ou constrangedor. Pelo contrário, agradecimentos pela visita e pedidos (muitos pedidos). Pediam tênis, remédios, recados a serem dados aos parentes e atendimento médico.[2] É possível ainda afirmar que o maior desejo da maioria é de serem incluídos, sentirem-se parte de alguma coisa e não serem mais esquecidos do que já são. A Pastoral Carcerária levou um trio de forró pé de serra para tocar dentro dos pavilhões como um “São João Itinerante” e até quadrilha improvisada foi dançada. Grandes rodas se abriram, alguns nos davam as mãos, outros ficavam na expectativa de serem “convidados”.

O pavilhão da Disciplina foi o que mais chamou minha atenção: celas trancadas, baldes sujos onde a comida chegava, todos muito eufóricos querendo interagir de alguma forma, perguntas simples feitas a um era respondida por dois ou três.  Houve um momento em que uma integrante da Pastoral Carcerária anotava as queixas e pedidos de uma das celas e o Pavilhão inteiro aplaudiu! Aplaudiu a existência de alguém que se importa e se incomoda com aquela realidade subumana em que eles se encontravam. Na saída desse pavilhão, os presos estendiam as mãos para cumprimentos.  Outro ponto que é válido mencionar é a precariedade da assistência jurídica prestada a eles, pois foram presentes os pedidos de acompanhamento de processos que há meses não se tem notícias, penas de 8 anos que já tinham 10 de cumprimento. Nos portões de entrada existem chapas que impedem a visualização do interior/exterior do presídio.

Não saí de lá com nenhuma visão romântica dos que integram a população carcerária, ali se encontravam transgressores da ordem pública que tanto deve ser preservada, mas que é duplamente violada a partir do momento que o Estado também é agressor ao não proporcionar o mínimo de respeito a esses indivíduos em um local que deveria ser de recuperação. Na chegada, pedi que Deus iluminasse o meu caminho lá dentro, ao sair, pedi que o caminho iluminado fosse o deles, pois, constatei uma premissa já existente no Meu mundo das idéias: que acima de tudo existe ali dentro Homens providos de dignidade, coração e alma que se encontram nesses ambientes. Durante a visita, tudo ocorreu perfeitamente bem, o primeiro contato com a realidade carcerária foi impactante e imensuravelmente construtivo. Que venham as próximas visitas.


[1] Alusão ao poema “O Bicho” de Manuel Bandeira que vinha todo o tempo em minha mente: “… não era um cão, não era um gato, não era um rato. O bicho, Meu Deus, era um Homem”. [2] No pavilhão da Disciplina havia um preso com a perna quebrada há 10 dias resultado de uma queda após tentativa de fuga.

Mas está tudo fora do lugar…

Publicado: abril 17, 2010 em Uncategorized

 O PRECONCEITO E A INTOLERÂNCIA ALGUNS DOS FUNDAMENTOS DO MASSACRE À VÍTIMA*

 

A justificativa para o título do presente texto será dada com um exemplo real do ano de 2000, não pela inexistência de casos mais recentes, mas como uma tentativa de que esse, após 10 anos de seu acontecimento, não fique apenas como um dado estatístico apagado da memória de cada cidadão.

Édson Neris, na madrugada de seis de fevereiro de 2000, passeava de mãos dadas com o seu companheiro Dario Pereira Netto nas imediações da Praça da República em São Paulo quando foi surpreendido por um grupo de Skinheads. Dario conseguiu escapar, mas Édson não logrou êxito e foi espancado até a morte pelo grupo conhecido como Carecas do ABC aos 36 anos.

Ao noticiar crimes contra gays, bissexuais, transexuais ou travestis, o posicionamento tendencioso adotado pelos meios de comunicação é acessível aos olhos e ouvidos de quem estiver disposto a perceber. O companheiro, marido ou namorado é prontamente intitulado de “parceiro”, atribuindo assim um termo pejorativo de conotação puramente sexual e desligada de qualquer esfera afetiva. A sexualidade da vítima é posta em primeiro plano, mas de forma negativa. Esse jogo de idéias e conceitos deturpados contribui para a manutenção de um pensamento retrógrado que cultiva a propagação de conceitos previamente concebidos carecidos de fundamentação.

Diante dessas mentalidades adestradas para rebater o que está fora do que foi estabelecido como ordem ou correto, a culpa que era para recair sobre os agressores, recai sobre os agredidos. Esses que deveriam receber não apenas proteção estatal, mas também o apoio da sociedade, são massacrados pelo preconceito e intolerância embutidos em cada manifestação de reprovação às condutas apresentadas pela vítima. No relato inicial, a conduta referida pode ser o fato isolado da homossexualidade ou o ato de dar andar de mãos dadas, que confere à vítima a responsabilidade (ou parcela dela) por tudo que lhe aconteceu.

Ainda sobre o caso inicialmente relatado, dos 18 suspeitos que a polícia conseguiu capturar, alguns pegaram pena leve por ter participado indiretamente da morte da vítima, outros chegaram a pegar até 21 anos de prisão, mas todos foram beneficiados pela progressão de regime e se encontram em liberdade.

* O massacre à vítima foi um dos pontos brevemente discutidos na reunião do GE (Grupo de Estudos) do dia 17 de março, mas que provavelmente terá continuidade e eu volto com outra postagem.

Aviso aos Navegantes

Publicado: abril 17, 2010 em Uncategorized
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Quando eu fiz este blog há dois anos, minha intenção era de tratar dos mais variados temas sempre ligados a cultura popular e regional. Muitas águas rolaram e hoje eu quero anunciar não a mudança de temática, mas a ampliação dela.

Este Blog passará a receber postagens advindas de reflexões que versam sobre as diversas esferas e polêmicas do Direito Penal, pois integro um Grupo de Estudos sobre Sistema Prisional e é inevitável a inquietação das idéias ao término de cada reunião. Idéias em estado de constante agitação, merecem ser passadas para o papel, sendo um blog uma excelente ferramenta de difusão de pensamentos, postarei aqui o que for produzido.

É isso, queridos. Sintam-se à vontade para comentar, discordar, acrescentar opiniões e querendo, podem também me enviar textos produzidos por vocês que eu publico com o devido crédito.

Dá licença, Tiradentes!

Publicado: agosto 6, 2009 em Uncategorized

Um fato histórico foi registrado pela letra do Hino de Pernambuco: “A República é filha de Olinda”. No dia 10 de novembro de 1710, Bernardo Vieira de Melo proclamou a independência de Olinda, ou seja, foi de Pernambuco a primeira iniciativa republicana no País. Não é querendo minimizar os feitos do alferes Joaquim José da Silva Xavier, mas deveria ser de Bernardo Vieira de Melo o papel de “Protomártir da República”, como afirmou Joaquim Correia na edição 4 do “Pernambuco Imortal”.
Muitos historiadores negam esse acontecimento por não ter sido encontrada a ata de reunião do senado, esse documento comprovaria oficialmente a proclamação. No entanto, uma parte das ruínas do Senado de Olinda localizadas em frente ao Mercado da Ribeira traz a inscrição: “Aqui em 10 de novembro de 1910, Bernardo Vieira de Melo deu o primeiro grito em favor da fundação da república entre nós.” Independente de qualquer impasse envolvido na questão é inegável a importância de Bernardo Vieira de Melo para a História de Pernambuco. Ele foi figura marcante também na Guerra dos Mascates onde Olinda e Recife eram representadas pela aristocracia rural e comerciantes. Uma crise financeira decorrente do declínio da produção açucareira configurava o cenário da época.
A Região Nordeste, que por anos foi esquecida politicamente, sempre foi marcada por inquietações resultantes da insatisfação popular com a camada dominante. Sobretudo, Pernambuco pode ser considerado o berço das revoluções e é repleto de personagens históricos que merecem ser lembrados constantemente. Além de Bernardo Vieira de Melo ter “gritado” pela independência, tem-se Joaquim Nabuco com a Abolição da Escravatura, Frei Caneca na Confederação do Equador, Dom Hélder a favor das Ligas Camponesas. Aqui até os Padres foram bravos guerreiros, salve, ó terra dos altos coqueiros!

 Do dia 31 de abril ao dia 3 de maio, a Universidade Católica de Pernambuco – Unicap vai ser sede do Encontro Regional dos Estudantes de Direito. Não foram divulgados ainda os palestrantes, mas os temas dos painéis e palestras já me fazem querer apressar o calendário.  

Não havia ilustração mais adequada para os temas. É o “Criança Morta” de Portinari para a série “Retirantes”, que está no cartaz oficial lá embaixo. Lindo e cruel. O evento tem um público restrito, mas os temas podem ser debatidos pelo cidadão comum. Seja ele estudante ou não. Torna-se possível enxergar a possibilidade de mudança, se é num futuro próximo ou não, não tem importância. Já faz brotar uma felicidade só de saber que ele pode chegar.

P A R T I C I P E M

 

A programação divulgada até agora segue aí:

 

Quinta-feira – 30/04/09
20:00hs – Abertura Oficial “A luta pela efetivação dos Direitos Humanos no Nordeste”
22:00hs – Atividade Cultural
Sexta-feira – 01/05/09
08:45hs – Painel 1 – “A flexibilização dos Direitos Trabalhistas frente a crise econômica.”
11:30hs – Grupo de Discussão (painel 1)
14:00hs – Peça de Teatro: “Ato Público”
20:15hs – Mesa Redonda – Trabalho escravo e bóias frias
22:00hs – Atividade Cultural
Sábado – 02/05/09
08:45hs – Painel 2 – Debate ” O Ensino Jurídico e o Exame da Ordem”
11:00hs – Oficinas
14:00hs – Painel 3 – “Dos manguezais à transposição do São Francisco”
16:30hs – Oficinas
20:15hs – Valorização do Regionalismo, A cultura consciente e os Movimentos Populares
22:00hs – Atividade Cultural
Domingo – 03/05/09
08:45hs – Painel 4 – Encerramento
10:00hs – Plenária Final
12:00hs – Entrega de Certificados

 

 

 

LINKS ÚTEIS:

 http://muda.djalmaaraujo.com/ered2009/prog.php – Site para maiores informações

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=80369497 - Comunidade no Orkut

 

Saudades de postar = Fato. (Risos)

 

 

Fuleirando…

Publicado: dezembro 24, 2008 em Uncategorized

Pois é, eu que havia dito que só voltaria em 2009, resolvi me antecipar. Não poderia deixar de postar hoje não. Não esse texto. Contemple-o inteiro. Da forma mais ampla que puder. E de verdade eu queria saber o que me dizem sobre ele. Muito obrigada e Feliz Natal ;D

MONÓLOGO DE NATAL- ALDEMAR PAIVA

“Não gosto de você Papai Noel.Também não gosto desse seu papel de vender ilusões à burguesia.Se os garotos humildes da cidade soubessem do seu ódio à humildade, jogavam pedra nessa fantasia.Você talvez nem se recorde mais.Cresci depressa, me tornei rapaz, sem esquecer, no entanto, o que passou.Fiz-lhe um bilhete, pedindo um presente e, à noite inteira, eu esperei contente.Chegou o sol e você não chegou.Dias depois, meu pobre pai cansado trouxe um trenzinho feio, empoeirado, que me entregou com certa excitação.Fechou os olhos e balbuciou: “É pra você, Papai Noel mandou”.E se esquivou, contendo a emoção.Alegre e inocente nesse caso, eu pensei que meu bilhete com atraso, chegara às suas mãos, no fim do mês.Limpei o trem, dei corda, ele partiu dando muitas voltas.Meu pai me sorriu e me abraçou pela última vez.O resto só eu pude compreender quando cresci e comecei a ver todas as coisas com realidade.Meu pai chegou um dia e disse, a seco: “Onde é que está aquele seu brinquedo?Eu vou trocar por outro, na cidade”.Dei-lhe o trenzinho quase a soluçar, e como quem não quer abandonar um mimo que nos deu, quem nos quer bem, disse medroso: “O senhor vai trocar ele?Eu não quero outro brinquedo, eu quero aquele.E por favor, não vá levar meu trem”.Meu pai calou-se e pelo rosto veio descendo um pranto que eu ainda creio, tanto e santo, só Jesus chorou.Bateu a porta com muito ruído, mamãe gritou; ele não deu ouvidos. Saiu correndo e nunca mais voltou.Você Papai Noel, me transformou num homem que a infância arruinou. Sem pai e sem brinquedos.Afinal, dos seus presentes, não há um que sobre para a riqueza do menino pobre que sonha o ano inteiro com o Natal.Meu pobre pai doente, mal vestido, para não me ver assim desiludido, comprou por qualquer preço uma ilusão e, num gesto nobre, humano e decisivo, foi longe pra trazer-me um lenitivo, roubando o trem do filho do patrão.Pensei que viajara, no entanto, depois de grande, minha mãe, em prantos, contou-me que fôra preso.E como réu, ninguém a absolvê-lo se atrevia.Foi definhando, até que Deus um dia entrou na cela e o libertou pro céu.”

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Nem só de coisas lindas  é feito o Natal. A realidade da maioria é bem diferente das mostradas nos comerciais de coca-cola!

 R.E.F.L.I.T.A!

 

 

 

 

 

  

 

 

- Porta encostada

Publicado: outubro 18, 2008 em Uncategorized

Minha nossa! Já faz um tempo considerável que eu não passava aqui. Tanta coisa aconteceu, boa e ruim e eu não pude registrar. O tempo tá curto, tá apertado. Fica meio inviável postar. Pressa e qualidade pra mim são imiscíveis. Eu vou ficar por aqui. Essas poucas frases já deu pra tiras as teias e a poeira dessa home. Volto em 2009.

A porta tá só encostada.